Salve, salve,
se liga no meu primeiro vídeo-poema "Porém" que eu criei para divulgar a minha poesia. O Vídeo foi lançado na SEMANA DE ARTE MODERNA DA PERIFERIA, e em breve vou lançar mais um, aguardem.
Produzido por Gustavo
Friday, February 29, 2008
TAIGUARA, POETA DA RESISTÊNCIA MUSICAL BRASILEIRA
Salve,
queria dizer uma pá de coisas, mas Taiguara já disse tudo que eu queria dizer. Quando, e da onde menos se espera, vem sempre uma faca disposta a cravar nossas costas.
Convidei Taiguara, músico que usou a poesia para lutar contra a ditadura do Brasil, para sangrar comigo.
Quer saber a real? Poucos são o que realmente dizem que são!
UNIVERSO EM TEU CORPO - Taiguara.
Eu desisto, Não existe essa manhã que eu perseguia
Um lugar que me dê trégua ou me sorria
Uma gente que não viva só pra si
Só encontro Gente amarga mergulhada no passado
Procurando repartir seu mundo errado
Nessa vida sem amor que eu aprendi
"Por uns velhos vãs motivos
Somos cegos e cativos
No deserto do universo sem amor
E é por isso que eu preciso
De você, como eu preciso!
Não me deixa um só minuto sem amor!"
Vem comigo
Meu pedaço de universo é no teu corpo
Eu te abraço, corpo imerso no teu corpo
E, em teus braços, se unem versos à canção
Vem, que eu digo
Que estou morto pra esse triste mundo antigo
Que meu porto, meu destino, meu abrigo
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
queria dizer uma pá de coisas, mas Taiguara já disse tudo que eu queria dizer. Quando, e da onde menos se espera, vem sempre uma faca disposta a cravar nossas costas.
Convidei Taiguara, músico que usou a poesia para lutar contra a ditadura do Brasil, para sangrar comigo.
Quer saber a real? Poucos são o que realmente dizem que são!
UNIVERSO EM TEU CORPO - Taiguara.
Eu desisto, Não existe essa manhã que eu perseguia
Um lugar que me dê trégua ou me sorria
Uma gente que não viva só pra si
Só encontro Gente amarga mergulhada no passado
Procurando repartir seu mundo errado
Nessa vida sem amor que eu aprendi
"Por uns velhos vãs motivos
Somos cegos e cativos
No deserto do universo sem amor
E é por isso que eu preciso
De você, como eu preciso!
Não me deixa um só minuto sem amor!"
Vem comigo
Meu pedaço de universo é no teu corpo
Eu te abraço, corpo imerso no teu corpo
E, em teus braços, se unem versos à canção
Vem, que eu digo
Que estou morto pra esse triste mundo antigo
Que meu porto, meu destino, meu abrigo
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
ARTIGO JORNAL " O POVO"
Deusas do cotidiano – Sérgio Vaz
“De todos os hinos entoados em louvor às revoluções nos campos de batalhas, nenhum, por mais belo que seja, tem a força das canções de ninar cantada no colo das mães.” S.V.
O nome dessas mulheres eu não sei, não lembro e nem preciso saber. São nomes comuns em meio a tantos outros espalhados por esse chão duro chamado Brasil.
Mas a maioria delas eu conheço bem, são donas de um mesmo destino: as miseráveis que roubam remédios para aliviar as angústias dos filhos.
É quando a pobreza não é dor, é angústia também. São as ladras de Victor Hugo.
Donas da insustentável leveza do ser, as infantes guerreiras enfrentam a lei da gravidade. Permanecem de pé ante aos dragões comedores de sonhos que escondem na gravidade da lei. Das trincheiras do ninho enfrentam moinhos de mós afiadas para protegerem a pança dos pequeninos. São as Quixotes de Miguel de Cervantes.
Místicas, não raro, estão sempre nuas em sentimentos. Quando precisam, cruas, esmolam com o corpo, e se postam à espera do punhal do prazer que cravam no seu ventre. È quando o prazer humilha.
São as habitantes do inferno de Dante.
Rainhas de castelos de madeiras, sustentam os filhos como príncipes, e os protegem da fome, do frio, e da vida dura e cruel que insiste em bater na porta das mulheres de panela vazia.
Quanto aos reis, também são os mesmos: os covardes dos vinhos da ira.
Mágicas, esses anjos se transformam em rochas, quando a vida pede grão de areia.
Em flores quando rastejam e espinhos quando protegem.
Essas mulheres são aquelas que limpam tapetes, mas não admitem serem pisadas.
São domésticas, mas não admitem serem domesticadas.
sim, são as deusas do dia a dia.
*Homenagem às mulheres que nunca são homenageadas
“De todos os hinos entoados em louvor às revoluções nos campos de batalhas, nenhum, por mais belo que seja, tem a força das canções de ninar cantada no colo das mães.” S.V.
O nome dessas mulheres eu não sei, não lembro e nem preciso saber. São nomes comuns em meio a tantos outros espalhados por esse chão duro chamado Brasil.
Mas a maioria delas eu conheço bem, são donas de um mesmo destino: as miseráveis que roubam remédios para aliviar as angústias dos filhos.
É quando a pobreza não é dor, é angústia também. São as ladras de Victor Hugo.
Donas da insustentável leveza do ser, as infantes guerreiras enfrentam a lei da gravidade. Permanecem de pé ante aos dragões comedores de sonhos que escondem na gravidade da lei. Das trincheiras do ninho enfrentam moinhos de mós afiadas para protegerem a pança dos pequeninos. São as Quixotes de Miguel de Cervantes.
Místicas, não raro, estão sempre nuas em sentimentos. Quando precisam, cruas, esmolam com o corpo, e se postam à espera do punhal do prazer que cravam no seu ventre. È quando o prazer humilha.
São as habitantes do inferno de Dante.
Rainhas de castelos de madeiras, sustentam os filhos como príncipes, e os protegem da fome, do frio, e da vida dura e cruel que insiste em bater na porta das mulheres de panela vazia.
Quanto aos reis, também são os mesmos: os covardes dos vinhos da ira.
Mágicas, esses anjos se transformam em rochas, quando a vida pede grão de areia.
Em flores quando rastejam e espinhos quando protegem.
Essas mulheres são aquelas que limpam tapetes, mas não admitem serem pisadas.
São domésticas, mas não admitem serem domesticadas.
sim, são as deusas do dia a dia.
*Homenagem às mulheres que nunca são homenageadas
Thursday, February 28, 2008
UH, COOPERIFA! UH, COOPERIFA!!!!!
Povo lindo, povo inteligente,
Ontem, mais uma vez o sarau da Cooperifa se superou, acho que foi o melhor do ano. A qualidade dos poetas foi compatível com o silêncio que imperava. Como sempre, lotado!
Gente pra caramba, e de todos as quebradas. A noite linda também colaborou muito.
A Periferia ontem estava mais do que perfumada, estava poética, da raís às pétalas. Quem "guenta nóis?"
Abs.
Sérgio Vaz
Tuesday, February 26, 2008
SARAU NAS ESCOLAS

Povo lindo, povo inteligente,
A Poesia não pode parar, por isso o sarau nas escolas de Taboão da Serra volta em março. Pois, é, só que agora num novo formato e numa outra pegada.
Em cada escola, vou fazer umas oficinas de poesias com os alunos do EJA, depois das oficinas vamos realizar um sarau com os alunos e alguns convidados. Depois partimos para uma outra escola, e assim sucessivamente. Ou seja cada escola vai realizar seu próprio sarau.
Mas a novidade é que no final do ano vamos fazer um livro com as poesias dos alunos selecionados, e um grande sarau com todas as escolas. Não é supimpa?
Por enquanto é só pessoal,
Abs.
Sérgio Vaz
Militante da poesia
DIA INTERNACIONAL DA MULHER
AJOELHAÇO NA COOPERIFA

Povo lindo, povo inteligente,
Nós da Cooperifa toda quarta-feira e todo dia homenageamos a as nossas mulheres, mas sempre no dia Internacional nós poetas promovemos o ajoelhaço no sarau.
Na quarta-feira no dia 5 de março o sarau vai transcorrer normalmente (surpresas?), mas às 10hs30, como já é tradição, todos os poetas e convidados serão convidados a se ajoelharem e pedir desculpas às nossas companheiras por tudo de ruim e covarde que nós fizemos ao longo da história da humanidade.
É pouco, mas é de coração.
A Periferia poética de joelhos, diante de nossas guerreiras, é assim que é.
Quem for homem que se apresente,
abs.
Sérgio Vaz

Povo lindo, povo inteligente,
Nós da Cooperifa toda quarta-feira e todo dia homenageamos a as nossas mulheres, mas sempre no dia Internacional nós poetas promovemos o ajoelhaço no sarau.
Na quarta-feira no dia 5 de março o sarau vai transcorrer normalmente (surpresas?), mas às 10hs30, como já é tradição, todos os poetas e convidados serão convidados a se ajoelharem e pedir desculpas às nossas companheiras por tudo de ruim e covarde que nós fizemos ao longo da história da humanidade.
É pouco, mas é de coração.
A Periferia poética de joelhos, diante de nossas guerreiras, é assim que é.
Quem for homem que se apresente,
abs.
Sérgio Vaz
SARAU DA COOPERIFA E SARAU RAP - AGENDE-SE!

SARAU DA COOPERIFAQuarta-feira 27 de fevereiro 21hs
Bar do Zé Batidão
Rua Bartolomeu dos Santos, 797
Chácara Santana
Zona Sul-SP
SARAU RAP - POESIA DAS RUAS
Quinta-feira 28 de fevereiro 19hs30
Projeto "Poesia das Ruas" Ritmo e Poesia
O Projeto Poesia das Ruas é um sarau dirigido a rimadores e rimadoras
doRap. É um espaço para o exercício da criação poética. Sem música,
MCsdeclamarão suas letras, compartilhando talento literário.
*Atenção rimadores, tragam as suas letras. Ela participará de uma
seleção para a publicação de um livro.
Iniciativa do poeta Sergio Vaz, o Sarau do Rap é realizado em parceria
com a Ação Educativa e contece toda última quinta-feira do mês.
Fundador e coordenador do Sarau da Cooperifa, Vaz, pretende buscar,
através da oralidade, um incentivo para a criação poética. Rap é ritmo
e poesia (rythman and poetry).
Ação Educativa
Rua: General Jardim, 660 – Vila Buarque - SP
Entrada: Gratuita
Capacidade de lotação: 200 pessoas
Friday, February 22, 2008
REVISTA COOPERIFA
EM MAIO !
o barato tá louco, mil fitas, mil idéias, mil coisas ao mesmo tempo.
Em maio sai a nossa primeira revista cultural da Cooperifa. Uma revista para refletir sobre o mundo, mas fincado em nossa aldeia.
Uma revista com artigos, crônicas, fotos, dicas culturais, notícias, e é claro, muita poesia.
Uma revista forte, para levantar a auto-estima da quebrada, bonita, bem-feita, papel de qualidade, jornalistas de qualidade, gente de qualidade, ou seja, uma revista do nosso tamanho, da nossa qualidade.
Uma revista para alegrar os que nos amam e entristecer os que nos odeiam. Haja arruda. Avisa os terreiros que vai faltar sal grosso na quebrada.
"Ei, INVEJA, vai tomar no cu".
ÉPOCA boa na perifa, VEJA se ISTO É, ou não um progresso!
Não posso falar mais sobre isso, mas é só para instigar e agitar o formigueiro.
Abs.
Sérgio Vaz
DOCUMENTÁRIO COOPERIFA
EM MARÇO !
POVO LINDO, POVO INTELIGENTE!
DOCUMENTÁRIO SOBRE O SARAU DA COOPERIFA
Thursday, February 21, 2008
SEXTA-FEIRA POÉTICA

SEXTA-FEIRA POÉTICA!!!
SHOW
CANTOS NEGREIROS
Show literomusical com FABIANA COZZA,
ALOÍSIO MENEZES e MARCELINO FREIRE
PARTICIPAÇÃO: SÉRGIO VAZ
dia 22 fev sexta-feira 19hs
ENTRADA FRANCA
Biblioteca Alceu Amoroso Lima
Rua Henrique Schaumann, 777
Pinheiros - Fone 11 3082-5023
São Paulo - SP
SHOW
CANTOS NEGREIROS
Show literomusical com FABIANA COZZA,
ALOÍSIO MENEZES e MARCELINO FREIRE
PARTICIPAÇÃO: SÉRGIO VAZ
dia 22 fev sexta-feira 19hs
ENTRADA FRANCA
Biblioteca Alceu Amoroso Lima
Rua Henrique Schaumann, 777
Pinheiros - Fone 11 3082-5023
São Paulo - SP
Tuesday, February 19, 2008
VALEU COMANDANTE!
SPA DEMOCRÁTICO - SÉRGIO VAZ
O Comandante Fidel Castro acaba de renunciar à presidência de Cuba, aos 81 anos de idade. Parece que foi ontem, a Sierra Maestra... Durante muitos anos Fidel, Cinfuegos, Guevara embalaram meus sonhos de um mundo mais fraterno e justo para para todos.
Cuba me lembra as periferias do Brasil, pelo menos na questão do embargo econômico, parece que todos estão proibidos de levar benfeitorias para as quebradas. Só que aqui que eles fazem isso sem pressão alguma. Viva a democracia!
Sou contra qualquer ditadura, qualquer uma, tanto de direita quanto de esquerda, que fique bem claro isso. E também sou contra qualquer Democradura, tipo Estadunidense ou Brasileira, na qual você pode falar tudo que quiser, desde de que ninguém te escute.
Tenho asco a esse nosso direito de ir e vir, desde que a gente saiba onde a gente está pisando. Tenho raiva desse nosso direito de andar livremente pelos esgôtos a céu aberto, de ruas sem asfaltos e mergulhar nas águas profundas das enchentes nos dias de chuva.
Não quero e não aceito esse direito de optar a estudar e não estudar ou ser analfabeto contra a minha vontade, e ter a obrigação a votar em raposas democráticas e velhacas que assombram o galinheiro.
"Somos um povo alegre", me diz a TV. Mas aí quando eu olho, a gente não se vê.
Veja os jornais por exemplo: estão cheios de liberdade de expressão, desde que escrevam as manchetes do patrão. Não é bacana?
Ufa!, ainda bem que aqui não tem paredão, só chacinas -não sei se o nosso povo lindo e trigueiro aceitaria ver pessoas morrerem injustamente. Para quem não sabe, no Brasil, a gente dá muito valor à vida. Sei.
Dizem que lá o povo todo vive na miséria e que eles nem têm carros novos.
Aqui não. Aqui, só nós somos os miseráveis, los otros...
Lá dizem que lá o povo é triste e não tem batucada, já aqui, eles, usam a nossa pele como tamborim, e sambam o ano inteiro sobre nossa carcaça.
Acho que o regime ideal seria aquele em que uma pessoa estivesse comendo alguma coisa e a outra não estivesse esperando para lamber a sua mão.
Aquele em que a gente tivesse a nossa casa e as outras não fossem inquilinos da rua.
Regime ideal é aquele onde o povo não é anoréxico, e que não tem vergonha de comer o fígado dos traidores da nação.
Regime ideal é aquele que o povo come os livros e não coloca o dedo na garganta, mas na cara do inimigo, e depois, vomita na cara da injustiça.
Nesse mundo repleto de bunda-moles, Fidel vai fazer muita falta.
Valeu hermano!
Monday, February 18, 2008
Já volto.
Povo lindo, povo inteligente,
daqui a pouco eu volto, estou preparando o presente para que a gente possa junto colher o futuro. Mil fitas, mil idéias que vão compensar minha ausência aqui no Blog.
Se vocês soubessem oque vem por aí...fui!
Vaz
Porém - Sérgio Vaz
Queria ter vivido melhor,
Porém a mediocridade sempre me foi farta e generosa
Nos caminhos que escolhi para viver.
Queria ter sido mais alegre,
Porém a tristeza sempre foi companheira fiel
Nos dias intermináveis de abandono.
Queria ter amado mais as pessoas que conheci
Ou que fingi conhecer,
Porém na maioria das vezes, eu também não me conhecia.
Queria ter andado mais livre,
Porém, algemado à ignorância, perdi muito tempo
Tentando voar sem sequer saber andar.
Queria ter lido mais livros,
Porém, analfabeto de ousadia, passei muitos anos
Enxergando pelos olhos adormecido de outras pessoas.
Também queria ter escritos mais poemas
Do que bilhetes pedindo desculpas,
Porém, as palavras sempre me vieram como culpa
E não como estrelas.
Queria ter roubado mais beijos e abraços
Das meninas que andavam desprotegidas,
Protegidas pela magia da infância,
Porém, cresci muito cedo, e a timidez sempre me foi
Uma lei muito severa a ser cumprida.
Queria ter pensado menos no futuro,
Porém, o passado simples nunca foi o melhor presente
E a eternidade sempre me pareceu coisa de gente que tem preguiça de viver.
Queria ter sido um homem mais humilde
Porém, a vaidade e a ganância sempre me cercaram
De mimos e coisas que até hoje não sei para que serviram.
Queria ter pregado mais a paz,
Porém, como um covarde, gastei muita munição tentando atingir amigos e
desconhecidos que não usavam coletes à prova de balas nem blindados no
coração.
Queria ter sido mais forte,
Porém rir dos vencidos e bajular os mais ricos
Sempre me pareceu o caminho mais curto
Para o esconderijo secreto das minhas fraquezas.
Queria ter dito mais a verdade,
Porém a mentira sempre foi moeda de troca
Para comprar o respeito e a admiração das pessoas fúteis
De almas vazias.
Queria que o mundo fosse mais justo
Porém, avarento de nascença, fui o primeiro a esconder o sol na palma da
mão, antes que o vizinho o fizesse.
E mesquinho por vocação escondi as noites com lua
Para que os poetas não a cortejassem.
Queria ter dito mais besteiras,
Porém fui desses idiotas amantes das proparoxítonas
E sujeito oculto nos bate-papos de botecos de esquinas,
Onde a vida não acontece por decreto.
Queria ter colhido mais flores,
Porém o medo de espinhos afugentou a primavera.
E outono que sempre fui,
plantei inverno quando a terra pedia verão.
Hoje queria ter acordado mais cedo,
Porém temo que pra mim
Seja tarde demais.
pra quem tem acesso ao youtube abaixo o link do video-poema
http://www.youtube.com/watch?v=SeqB5FWIdSE
daqui a pouco eu volto, estou preparando o presente para que a gente possa junto colher o futuro. Mil fitas, mil idéias que vão compensar minha ausência aqui no Blog.
Se vocês soubessem oque vem por aí...fui!
Vaz
Porém - Sérgio Vaz
Queria ter vivido melhor,
Porém a mediocridade sempre me foi farta e generosa
Nos caminhos que escolhi para viver.
Queria ter sido mais alegre,
Porém a tristeza sempre foi companheira fiel
Nos dias intermináveis de abandono.
Queria ter amado mais as pessoas que conheci
Ou que fingi conhecer,
Porém na maioria das vezes, eu também não me conhecia.
Queria ter andado mais livre,
Porém, algemado à ignorância, perdi muito tempo
Tentando voar sem sequer saber andar.
Queria ter lido mais livros,
Porém, analfabeto de ousadia, passei muitos anos
Enxergando pelos olhos adormecido de outras pessoas.
Também queria ter escritos mais poemas
Do que bilhetes pedindo desculpas,
Porém, as palavras sempre me vieram como culpa
E não como estrelas.
Queria ter roubado mais beijos e abraços
Das meninas que andavam desprotegidas,
Protegidas pela magia da infância,
Porém, cresci muito cedo, e a timidez sempre me foi
Uma lei muito severa a ser cumprida.
Queria ter pensado menos no futuro,
Porém, o passado simples nunca foi o melhor presente
E a eternidade sempre me pareceu coisa de gente que tem preguiça de viver.
Queria ter sido um homem mais humilde
Porém, a vaidade e a ganância sempre me cercaram
De mimos e coisas que até hoje não sei para que serviram.
Queria ter pregado mais a paz,
Porém, como um covarde, gastei muita munição tentando atingir amigos e
desconhecidos que não usavam coletes à prova de balas nem blindados no
coração.
Queria ter sido mais forte,
Porém rir dos vencidos e bajular os mais ricos
Sempre me pareceu o caminho mais curto
Para o esconderijo secreto das minhas fraquezas.
Queria ter dito mais a verdade,
Porém a mentira sempre foi moeda de troca
Para comprar o respeito e a admiração das pessoas fúteis
De almas vazias.
Queria que o mundo fosse mais justo
Porém, avarento de nascença, fui o primeiro a esconder o sol na palma da
mão, antes que o vizinho o fizesse.
E mesquinho por vocação escondi as noites com lua
Para que os poetas não a cortejassem.
Queria ter dito mais besteiras,
Porém fui desses idiotas amantes das proparoxítonas
E sujeito oculto nos bate-papos de botecos de esquinas,
Onde a vida não acontece por decreto.
Queria ter colhido mais flores,
Porém o medo de espinhos afugentou a primavera.
E outono que sempre fui,
plantei inverno quando a terra pedia verão.
Hoje queria ter acordado mais cedo,
Porém temo que pra mim
Seja tarde demais.
pra quem tem acesso ao youtube abaixo o link do video-poema
http://www.youtube.com/watch?v=SeqB5FWIdSE
Tuesday, February 12, 2008
TUPAC - DEAR MAMA
Tupac Shakur - Dear Mama (tradução)
Querida Mamãe
Você é querida
Quando eu era criança eu e minha mãe brigamos
Aos 17 anos de idade fui jogado nas ruas
Embora na epoca não queria mais ver a cara dela
Não há outra mulher no mundo que possa tomar o lugar
dela
Suspenso da escola; e com medo de voltar pra casa, eu
era um otário
junto com os malucos mais velhos quebrando todas as
regras
Eu chorava junto com a minha irmãzinha
Os anos passavam e eramos mais pobres que as outras
crianças, o mesmo drama
Quando as coisas davam errados culpavamos nossa mãe
Eu me lembro do estress que eu causava, era um
inferno
Minha mãe me abraçando dentro de uma cela
E quem imaginaria isso no primário?
Heeey! Eu veria a penitenciária algum dia
E quando eu corri da policia, que pra mim era certo
A minha mãe me pegou e me deu um coro
E mesmo sendo uma viciada em crack mamãe
Você sempre foi uma rainha negra, mamãe
Eu finalmente entendo
que para uma mulher não é fácil criar um homem
Você era muito empenhada
Uma mãe solteira e pobre vivendo de Assistência
Social, como você conseguiu?
Não há como eu lhe pagar de volta
Mas o meu plano é lhe mostrar que eu entendo
Você é querida
[Refrão: Reggie Green & Sweet Franklin & 2Pac]
Mãe...
Você não sabe que eu te amo? querida mamãe
Querida mamãe
Não há ninguém acima de você, doce mamãe
Você é querida
Você não sabe que eu te amo?
[2Pac]
Ninguém me disse que a vida era justa
Sem amor do meu pai porque o covarde não estava
conosco
Ele morreu e eu nem chorei, porque o meu ódio
me impedia de sentir algo por um estranho
Dizem que estou errado e que não tenho coração, mas o
tempo todo
Eu estava procurado por um pai que nunca aparecia
Eu comecei a andar com uns bandidos, e mesmo que eles
vendessem drogas
Eles me deram muito amor
Eu sai de casa e comecei a fazer meus corres
Precisava de meu próprio dinheiro e comecei a
traficar
Não me sinto culpado porque mesmo eu vendendo crack
Me sentia bem colocando dinheiro na sua caixa do
correio
Eu gosto de pagar as contas quando elas estão
atrasadas
Espero que você tenha achado o colar de diamantes que
lhe mandei
Porque quando eu estava triste você sempre ao meu
lado
E nunca me deixou sozinho porque você se importava
comigo
E sempre via você chegando tarde do trabalho
Na cozinha tentando preparar algo pra gente comer
Você se virava com as migalhas que você recebia
E minha mãe fazia milagres em todo dia de Ação de
Graças
Mas agora a estrada ficou dificil, você está sozinha
Tentando criar dois moleques levados sozinha
Não há como eu lhe pagar de volta
Mas o meu plano é lhe mostrar que eu entendo
Você é querida
[Refrão]
[2Pac]
Bebo um pouco de licor e me lembro, porque mesmo com
as tretas
Eu sempre pude contar com a minha mãe
E quando parecia que eu estava sem futuro
Você dizia as palavras que me colocavam no eixo
novamente
E quando eu era criança e ficava doente
Você fazia de tudo pra me deixar feliz
E todas as minhas memórias de infância
Estão repletas das coisas boas que você fez pra mim
E mesmo quando eu pagava de louco
Eu sempre agradeço a Deus por você ser a minha mãe
Não há palavras para expressar oque eu sinto
Você nunca teve segredos, sempre foi verdadeira
E eu admiro o modo como você me criou
E toda o amor extra que você me deu
Eu gostaria de levar toda a sua dor embora
Mas se você conseguir sobreviver a noite, logo
aparecerá um belo dia
Tudo vai ficar bem se você for forte
Todo dia é uma luta, você tem que se segurar
E não há como eu lhe pagar de volta
Mas o meu plano é lhe mostrar que eu entendo
Você é querida
RECORDAR É VIVER!!
Povo lindo, povo inteligente,
achei esta foto do Kichute na internet e não resisti à tentação de postar no Blog, mas para isso também quero relembrar um texto que eu fiz sobre o tema. Quem já usou Kichute não esquece, quem já usou tá ligado no que eu tô falando. Então, pra matar a saudade, entra de canela aí no blog.
Abs.
Sérgio Vaz
Sobre Kichutes e chuteiras - Sérgio VazEm outubro é o mês em que se comemora o dia das crianças, depois do natal, esse é o dia mais aguardado para qualquer menino ou menina, pois, teoricamente é um dia para receber presentes.
Pra ser sincero não tenho boas lembranças dessas datas, na minha casa a roupa sempre foi muito mais importante do que brinquedo, por isso, desde cedo aprendi a brincar só com os meus botões. Sem carrinho pra dirigir, cheguei de kichute na adolescência, e com os pés cheios de calos no coração.
Naquela época não era fácil entender que existia um dia só para as crianças, mas ao mesmo tempo, só para algumas crianças. “Quem será que ensinou aos adultos a serem tão cruéis?”. Pois somente um adulto é capaz de ensinar uma criança a ter raiva e inveja ao mesmo tempo.
Raiva porque as ruas nesses dias eram tomadas de cores e luzes da felicidade alheia, e inveja por que essas cores e luzes não brilhavam no meu quintal. De quebra também aprendi a odiar o Playcenter e o Papai Noel. Bom velhinho, sei...
No caso das meninas fico pensando que também não devia ser diferente, não deve ser fácil acalentar a boneca da vizinha e chamá-la de minha filha ao mesmo tempo. Brincar de babá aos seis anos deve doer tanto quanto ser motorista aos sete. Sorrir com a alegria emprestada... é muito sério ser criança.
Descobri que somos o país do futebol porque uma única bola, não importa de quem seja, é capaz de fazer a alegria de um bairro inteiro, e nessa hora não importa quem ganhou presente ou não. Para quem não sabe o futebol também é um esconderijo de crianças tristes e solitárias. Descalços ou não,uns chutam a bola, outros a vida.
Não estou fazendo propaganda de supermercado e nem sei se as pessoas se tornam melhores porque na infância ganharam brinquedos ou não, só quis lembrar um tempo em que o algodão não era tão doce.
Se vão presentear seus filhos, para que não se tornem poetas tristes como eu, não esqueçam, as crianças gostam que os pais venham como acessórios. Ou quem sabe, o contrário.
Nesses tempos onde as mães jogam os filhos no lixo, haverá um tempo que a gente não lembrará mais a falta dos brinquedos, e sim das crianças.
Marcelino Freire mandou chamar todo mundo
Marcelino Freire no Sarau da CooperifaAgende-se!
CANTOS NEGREIROS
Show literomusical com FABIANA COZZA,
ALOÍSIO MENEZES e MARCELINO FREIRE
A cada noite um poeta convidado
De 15 a 23 de fevereiro
Sextas e sábados, às 19 horas
Dia 15:Poeta convidado - LUIZ ROBERTO GUEDES
Dia 16:Poetas convidados - DANIEL MINCHONIe RUI MASCARENHAS
Dia 22:Poeta convidado: SÉRGIO VAZ
Dia 23:Poetas convidados: ARRUDA e EUNICE ARRUDA
ENTRADA FRANCA
Biblioteca Alceu Amoroso Lima
Rua Henrique Schaumann, 777
Pinheiros - Fone 11 3082-5023
São Paulo - SP
O AUGUSTO
É AGORA, JOSÉ!!!!! - AUGUSTO
Que dia, heim José?
Logo cedo
cigarro e café.
A mulher
nem pra ficar de pé.
Agora é contigo, José.
Seja o que Deus quiser...
Desce a rua de barro.
Nem em sonho,
ali roda carro.
Chove.
Amanha é fim de semana.
Mas não tem essa pro José.
Todo dia é a mesma barra.
Quando vê o busão
José solta um Caralho.
Pois daqui para o trabalho
é duas horas de relógio.
Em pé; é lógico.
E aquela vaca dormindo...
Mais ela vai vê
no domingo,
no churrasco do Pereira.
José vai dançar gafieira,
tomar pinga, fernet...
pode chover canivete
que essa farra ele não perde.
Que dia, heim José?
Logo cedo
cigarro e café.
A mulher
nem pra ficar de pé.
Agora é contigo, José.
Seja o que Deus quiser...
Desce a rua de barro.
Nem em sonho,
ali roda carro.
Chove.
Amanha é fim de semana.
Mas não tem essa pro José.
Todo dia é a mesma barra.
Quando vê o busão
José solta um Caralho.
Pois daqui para o trabalho
é duas horas de relógio.
Em pé; é lógico.
E aquela vaca dormindo...
Mais ela vai vê
no domingo,
no churrasco do Pereira.
José vai dançar gafieira,
tomar pinga, fernet...
pode chover canivete
que essa farra ele não perde.
Sunday, February 10, 2008
HOMENAGEM AOS MALANDROS
Povo lindo, povo inteligente,
fiz um conto em homenagem aos malandros dessa nova literatura e música de quem eu sou muito grato em ser contemporâneo. Tentei usar nomes de livros, autores, músicas e personagens que contemplam esse momento único em que vive a periferia, culturalmente falando.
Nada demais, apenas uma brincadeira. A História também tem bem a ver com o que os manos e as minas andam escrevendo, só que não com a mesma força e lirismo que eles escrevem.
Vai também como uma boa dica cultural.
Tamo junto!
Abs।
Sérgio Vaz
Foto: João Wainer

ÍNIMIGO ÍNTIMO - Sérgio Vaz
*(baseado em fatos que não aconteceram, mas que poderiam ter acontecido facilmente. De verdade ninguém morreu, ninguém matou, por isso não vale como estatísticas para Segurança Pública)
*(baseado em fatos que não aconteceram, mas que poderiam ter acontecido facilmente. De verdade ninguém morreu, ninguém matou, por isso não vale como estatísticas para Segurança Pública)
A Guerreira em questão morava no topo da favela, lá, onde subindo a ladeira mora a noite, e chegava do trabalho lá pelas dez. Um ônibus lotado, mais o que doía mesmo era o trem.
Chegou em casa e o suposto marido, graduado em marginalidade já estava louco de cachimbo, na cidade de Deus onde todos foram esquecidos, o nóia era conhecido como colecionador de pedras.
Um dia já foi trabalhador, mas... Pensamentos vadios é foda.
Elizandra já não suportava mais essa vida, mas não se sabia porque vivia pelo vão da felicidade, enquanto o desgraçado do Ademiro vivia na fortaleza da desilusão. E assim, viviam a vida que ninguém vê.
No sábado, hoje é quinta, ela vai matar o desgraçado, só que ela ainda não sabe, nem ele, por isso seguia sobrevivendo no inferno no seu castelo de madeira noite adentro planejando o assassinato.
Pronto, já é sábado -resolvi cortar a sexta-feira e partir direto para os acontecimentos.
Quando Elizandra chegou, moída do trabalho, encontrou novamente o traste bem louco na cadeira no canto da cozinha.
A casa estava imunda, um quarto de despejo. Foi a gota D´agua.
Ela o matou com o tiro bem no meio da cabeça.
Foi assim:
Há alguns dias ela tinha conseguido um revólver emprestado de um admirador, que não via a hora do nóia se mudar do Capão pecado para ele logo se entocar na goma do malandro.
A Guerreira já chegou decidida, o zóio estava pegando fogo, vixe, ela era o próprio manual prático do ódio.
Chegou no barraco às cegas, mas qualquer um podia sentir o rastilho da pólvora que ela trazia no olhar.
Estava ali, de passagem, mas não a passeio, e pensando que cada tridente em seu lugar, ou seja, ela feliz, ele a caminho do inferno.
Já podia vê-lo no cemitério no buraco do terrão, tipo desenho de chão.
Ela o chamou pelo nome:
-Ademiro, vou te dar uma letra.
Ele olhou para ela e para o cano do cano do brinquedo assassino que ela trazia nas mãos.
-Eita porra, que porra é essa?
-Acabou!
Disse mais um monte de coisa e gastou toda sua gramática da ira contra o aspirante a defunto.
Dizem alguns vizinhos que ela deu várias letras, mais ou menos, 85 letras e um disparo.
O barraco virou um angu de sangue, deu até no notícias jugulares: “Morre nóia que batia na mulher”.
A vizinha que lia a manchete olhou para o dono da banca e disse:
-A morte desse verme foi um presente para o gueto.
Periferia é periferia em qualquer lugar!
Chegou em casa e o suposto marido, graduado em marginalidade já estava louco de cachimbo, na cidade de Deus onde todos foram esquecidos, o nóia era conhecido como colecionador de pedras.
Um dia já foi trabalhador, mas... Pensamentos vadios é foda.
Elizandra já não suportava mais essa vida, mas não se sabia porque vivia pelo vão da felicidade, enquanto o desgraçado do Ademiro vivia na fortaleza da desilusão. E assim, viviam a vida que ninguém vê.
No sábado, hoje é quinta, ela vai matar o desgraçado, só que ela ainda não sabe, nem ele, por isso seguia sobrevivendo no inferno no seu castelo de madeira noite adentro planejando o assassinato.
Pronto, já é sábado -resolvi cortar a sexta-feira e partir direto para os acontecimentos.
Quando Elizandra chegou, moída do trabalho, encontrou novamente o traste bem louco na cadeira no canto da cozinha.
A casa estava imunda, um quarto de despejo. Foi a gota D´agua.
Ela o matou com o tiro bem no meio da cabeça.
Foi assim:
Há alguns dias ela tinha conseguido um revólver emprestado de um admirador, que não via a hora do nóia se mudar do Capão pecado para ele logo se entocar na goma do malandro.
A Guerreira já chegou decidida, o zóio estava pegando fogo, vixe, ela era o próprio manual prático do ódio.
Chegou no barraco às cegas, mas qualquer um podia sentir o rastilho da pólvora que ela trazia no olhar.
Estava ali, de passagem, mas não a passeio, e pensando que cada tridente em seu lugar, ou seja, ela feliz, ele a caminho do inferno.
Já podia vê-lo no cemitério no buraco do terrão, tipo desenho de chão.
Ela o chamou pelo nome:
-Ademiro, vou te dar uma letra.
Ele olhou para ela e para o cano do cano do brinquedo assassino que ela trazia nas mãos.
-Eita porra, que porra é essa?
-Acabou!
Disse mais um monte de coisa e gastou toda sua gramática da ira contra o aspirante a defunto.
Dizem alguns vizinhos que ela deu várias letras, mais ou menos, 85 letras e um disparo.
O barraco virou um angu de sangue, deu até no notícias jugulares: “Morre nóia que batia na mulher”.
A vizinha que lia a manchete olhou para o dono da banca e disse:
-A morte desse verme foi um presente para o gueto.
Periferia é periferia em qualquer lugar!
Sérgio Vaz
dados bibliográficos:
Guerreira, O Trem: Alessandro Buzo
Subindo a ladeira mora a noite, Pensamentos vadios, Colecionador de pedras: Sérgio Vaz
Graduado em marginalidade, 85 letras e um disparo, Ademiro: Ademiro Alves, Sacolinha
Cidade de Deus: Paulo Lins
Às cegas: Luiz Alberto Mendes
Vão: Allan da Rosa
Fortaleza da desilusão, Capão pecado, Manual prático do ódio: Ferréz
A vida que ninguém vê: Eliane Brum
Sobrevivendo no inferno: Racionais Mc´s
Castelo de madeira, Brinquedo Assassino: Grupo A Família
Noite adentro : Robson Canto
Elizandra Mjiba
Quarto de despejo: Carolina de jesus
De passagem, mas não a passeio: Dinha
Rastilho da pólvora: Antologia do sarau da Cooperifa
Cada tridente em seu lugar: Cidinha
Desenho de chão: Silvio Diogo
Gramatica da ira: Nelson Maka
Angu de sangue: Marcelino Freire
Notícias jugulares: Duguetto Shabbaz
Um presente para o gueto: Fuzzil
Periferia é periferia em qualquer lugar: GOG
VEM AÍ: PENSAMENTOS VADIOS, acústico
Foto: João Wainer

Uva Passa
Se tu se cobres
Com os cobres alheio
Teu coração é podre,
Quem é o miserável afinal?
Se tu nobre
que esfola o pobre
Tem medo do coldre,
Não entende o quê afinal?
Se tu só uva passa
E não repassa,
os passa fome te passa,
o que adianta afinal?
Se tu tem terra,
E deixa entrar no quintal
Teu Deus te espera,
Tá com medo do quê afinal?
Então,
Se tu quer poesia
respeita o poema,
que a vida segue afinal.
Sérgio Vaz
Poesia...
NO CAMINHO COM MAIAKÓVSKI - Eduardo Alves da Costa
Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.
Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na Segunda noite,
já não se escondem:pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.
Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne a aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.
Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.
E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!
Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.
Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na Segunda noite,
já não se escondem:pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.
Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne a aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.
Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.
E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!
Saturday, February 09, 2008
POESIA (MARRENTA) INÉDITA
Foto: João Wainer

POEMA DE RUA
Ninguém me dá um bom dia
Ninguém me pede por favor
É faça isso, faça aquilo
E tenho ainda que responder: sim senhor!?
Ninguém me pede desculpas
Ninguém me diz obrigado
Se chove e não molha
Me dizem que sou o culpado.
Ninguém me pede licença
Ninguém me deseja boa sorte
E só querem me dar a benção
Quando estiver à beira da morte.
Todo mundo me pede dinheiro
Ninguém me oferece trabalho
Mas se digo que sou brasileiro
Perguntam porque não me calo.
Querem que eu saia da frente
Que olhe para baixo e que ande de lado
Dizem que sou diferente
Por isso não sou perdoado.
Ninguém me dá um pedaço de terra
E ainda por cima cospem no meu chão
Só não batem na minha cara
Porque cara de homem não se bate não.
Ninguém me deu escola
Ninguém me deu educação
Me querem pedindo esmola
Sacudindo moedas na palma da mão.
Desde sempre me dão noites mortas
Dias mancos sem tardes iluminadas
Se escrevo a vida em linha torta
Por quê diabos querem poesias estreladas?
SÉRGIO VAZ
Friday, February 08, 2008
ARTIGO DO JORNAL " O POVO"
Jardim Leme - Taboão da SerraAmor de mãe - Sérgio Vaz
Não sei se todos sabem, mas não sou filho sanguíneo de Taboão da Serra, fui adotado aos trinta anos de idade. Em compensação, como todo filho adotivo tenho que amar a cidade, tanto, ou mais do que meus outros 230 mil irmãos e irmãs, como se realmente fosse possível medir o amor que a gente sente.
Apesar de ser bastardo, a cidade nunca me tratou como madrasta -muito pelo contrário-, por isso nunca me senti rejeitado ou coisa que mereça uma sessão de psicanálise. Mesmo sabendo que muitas vezes sentia ciúmes dos filhos legítimos.
Ser poeta tem me levado a vários lugares e quebradas desse país divulgando a minha poesia e difundindo o amor à literatura, que é outra paixão antiga. Mas aonde quer que eu vá, nada é mais prazeroso do que poder voltar. É. Sentir a brisa da cidade que começa a te receber já na Avenida Francisco Morato, ou na BR 116. Não existe lugar mais seguro que o útero da mãe.
Outro dia um amigo me perguntou como era morar numa cidade pequena, eu respondi que não sabia, mesmo sabendo que tem por aí cidade pequena, inclusive capitais, se é que me fiz entender.
Ele também me perguntou se existia algum tipo de coisa característica, tipo turístico e tal, que valia a pena visitar. Respondi no estilo mais Dom e Ravel possível, que o maior patrimônio da cidade eram as pessoas.
E que as pessoas, cada uma delas, eram as nossas Pirâmides, nossa capela Sistina, nossos Arcos da Lapa, nosso Louvre ou nossa Veneza, e que deveriam ser visitadas. Exagerei? Pois é, quem ama geralmente exagera.
Sei lá o porque de tanto ufanismo Taboanense, só sei que acordei com vontade de fazer uma declaração de amor à cidade, e pronto!
Sei que muitos também a amam e muitas vezes não se manifestam com palavras, assim como eu, mas com atitudes, sangue, suor e lágrimas, por isso Taboão é ainda mais importante pra mim. Por isso o meu respeito e reverência a eles.
Pelos seus heróis, guerreiras e guerreiros, conhecidos e anônimos, que colocaram e colocam diariamente o polegar nessa história maravilhosa que não pára de ser escrita, e que um dia tem de ser contada (estou pensando de escrever um livro sobre isso).
E você, onde guarda seu amor pela cidade?
Não sei se todos sabem, mas não sou filho sanguíneo de Taboão da Serra, fui adotado aos trinta anos de idade. Em compensação, como todo filho adotivo tenho que amar a cidade, tanto, ou mais do que meus outros 230 mil irmãos e irmãs, como se realmente fosse possível medir o amor que a gente sente.
Apesar de ser bastardo, a cidade nunca me tratou como madrasta -muito pelo contrário-, por isso nunca me senti rejeitado ou coisa que mereça uma sessão de psicanálise. Mesmo sabendo que muitas vezes sentia ciúmes dos filhos legítimos.
Ser poeta tem me levado a vários lugares e quebradas desse país divulgando a minha poesia e difundindo o amor à literatura, que é outra paixão antiga. Mas aonde quer que eu vá, nada é mais prazeroso do que poder voltar. É. Sentir a brisa da cidade que começa a te receber já na Avenida Francisco Morato, ou na BR 116. Não existe lugar mais seguro que o útero da mãe.
Outro dia um amigo me perguntou como era morar numa cidade pequena, eu respondi que não sabia, mesmo sabendo que tem por aí cidade pequena, inclusive capitais, se é que me fiz entender.
Ele também me perguntou se existia algum tipo de coisa característica, tipo turístico e tal, que valia a pena visitar. Respondi no estilo mais Dom e Ravel possível, que o maior patrimônio da cidade eram as pessoas.
E que as pessoas, cada uma delas, eram as nossas Pirâmides, nossa capela Sistina, nossos Arcos da Lapa, nosso Louvre ou nossa Veneza, e que deveriam ser visitadas. Exagerei? Pois é, quem ama geralmente exagera.
Sei lá o porque de tanto ufanismo Taboanense, só sei que acordei com vontade de fazer uma declaração de amor à cidade, e pronto!
Sei que muitos também a amam e muitas vezes não se manifestam com palavras, assim como eu, mas com atitudes, sangue, suor e lágrimas, por isso Taboão é ainda mais importante pra mim. Por isso o meu respeito e reverência a eles.
Pelos seus heróis, guerreiras e guerreiros, conhecidos e anônimos, que colocaram e colocam diariamente o polegar nessa história maravilhosa que não pára de ser escrita, e que um dia tem de ser contada (estou pensando de escrever um livro sobre isso).
E você, onde guarda seu amor pela cidade?
Thursday, February 07, 2008
DONA SEBASTIANA, A LUZ DE BRASÍLIA
Quem for ao Distrito federal não pode perder a macarronada de Dona Sebastiana, mãe do GOG, a luz de Brasília. Também não pode perder a oportunidade de prosear com ela na calçada, e aprender, de forma doce e sensível, que a vida ainda vale a pena. Aliás, nos momentos mais difíceis, ela continua a nos ensinar sobre isso: o bálsamo da vida.
Lembro-me de ouvir aquela voz frágil acariciando meus ouvidos com um sorriso que mais se parece com um abraço. Já sentiu-se abraçado quando alguém te sorri ? Pois eu já, quando estive com ela.
Queria também abraçá-la com as minhas palavras, posso?
Força guerreira!
Do filho de Sampa,
Sérgio Vaz
COLECIONADOR DE PEDRAS
foto: João Wainer

PÁSSARO DE SEDA
O Pipa
é o pássaro de papel
está longe da gaiola,
mas tem a liberdade vigiada
pela linha do carretel.
SÉRGIO VAZ
CHUVA DE POESIA

Povo lindo, povo inteligente,
ontem em plena quarta-feira de cinzas mais de duzentas pessoas compareceram ao Sarau da Cooperifa. Quem foi garante que foi uma das melhores noites do sarau. Fizemos uma homenagem ao Timbó pela vitória da Vai-Vai, que fez parte da comissão de frente. E uma homenagem ao Zé Batidão que inaugurou a biblioteca do bar. Ei, está ouvindo? Biblioteca no Bar!!!!!!!!!! É isso mesmo, agora a comunidade não tem mais desculpas por não ler. Quem tem livros em bom estado para doar?
O silêncio e o respeito foi tão grande que la pelas 10hs só se ouvia o barulho da chuva que caía preguiçosa no telhado. Mais poético impossível.
Consciência e atitude. Estamos chegando lá.
abs.
Sérgio Vaz
Wednesday, February 06, 2008
Tuesday, February 05, 2008
NA QUARTA-FEIRA DE CINZAS O SARAU VAI ESTAR COLORIDO

Povo lindo, povo inteligente,
nesta quarta-feira acontece o sarau normalmente.
E Também, à noite, tem uma matéria sobre "Poesia na periferia" no jornal da Globo News, à
meia-noite e meia no canal 40.
Além de falar sobre a Cooperifa a entrevista também enfoca o meu livro "Colecionador de pedras. Fala sobre outros poetas da periferia, de Pernambuco e da favela da Maré/RJ.
Quem tiver canal a cabo e não tiver o que fazer...
Carái, eu não tenho tv a cabo, onde eu vou assistir?
Abs.
Sérgio Vaz
ATRÁS DO TRIO ELÉTRICO SÓ NÃO VAI QUEM JÁ MORREU: A JUVENTUDE NEGRA DA BAHIA

A Cor dessa cidade, sou eu? - Sérgio Vaz
O cantor Baiano Caetano Veloso talvez nem imaginaria que o título da sua música "Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu", de 1969, também seria uma grande profecia a se confirmar no século 21, e por vários motivos. Um deles é que os trios elétricos, criados como alternativas para democratizar o carnaval e torná-lo popular, hoje são dirigidos como grandes empresas, e como toda grande empresa, o cliente tem sempre razão. Ou seja, quem pode pagar se diverte, quem não pode... Para quem não sabe, do outro lado da corda o baculejo é geral. Quem não tem chão, tem que sair do chão, mesmo! Mas a rua não é pública?
Outro motivo é que a juventude negra das comunidades periféricas está sendo assassinada indiscriminadamente pela polícia truculenta de Salvador, e como todos sabem, mortos não se divertem, pelo menos por aqui. Os crimes cometidos por esses jovens? São negros, no estado mais africano do país. Se liga meu rei, os súditos estão de olho no castelo.
Como eu disse anteriormente, do outro lado da corda, o baculejo é geral, amplo e restrito, e nas vielas das favelas o sangue não escorre nas calçadas, por isso, enquanto os turistas estão com a boquinha na garrafa, o sarrafo come, sem direito a lembrancinha do Senhor do bom fim. "Ó pa i ó!"
Pois é, quando a cantora Ivete Sangalo canta que o povo do gueto mandou avisar que vai rolar a festa, acho que ela está falando de uma outra festa e de um outro gueto, a elite branca, que com certeza não é o mesmo povo de Hamilton Borges (reaja ou será morto, reaja ou será morta), Nelson Maka (Blackitude), Vilma Reis, que luta e denuncia icansavelmente o extermínio dos pretos Soteropolitanos, que vivem à margem do futuro, criado pelo passado sujo do tranca-rua do carlismo.
Só quem conhece a periferia de Salvador sabe o que é realmente mastigar o chiclete com a banana. Os chicleteiros, quando acaba o carnaval, batem suas asas de águia para suas casas, enquanto o pipoca se estoura de janeiro a janeiro, com a porra daquela corda, que sempre arrebenta do lado mais fraco: "Dendê no cu dos outros é refresco."
Mal sabem, que lágrima de mãe quando perde um filho, morto injustamente por quem deveria zelar pela segurança pública do estado, não acaba nunca, é preciso vários Abadás para secarem. E nenhuma eletricidade que ilumina a avenida, vai acender a vela do perdão quando a gente cansar de andar de carro velho.
O povo do gueto mandou avisar que quer JUSTIÇA, se não... vai acabar com a festa!
Quanto mais Haiti, mais Paris se aproxima.
A Cor dessa cidade, sou eu?
Sérgio Vaz
Poeta da periferia
leia mais sobre o tema na revista Carta Capital desta semana (do caralho!)
Leia texto "Bahia: a matança continua" de Vilma Reis no blog do Maka (www.gramaticadaira.blogspot.com)
Entenda um pouco melhor o que se tornou o carnaval Bahiano num entrevista do Professor de Geografia Clímaco Dias.
As horas passam. E corre o relógio em contagem regressiva no portal eletrônico do Carnaval de Salvador 2007 (visite aqui). “O coração do mundo bate aqui / Feliz de quem pode escutar / Minha cidade é sua / Pode vir”, canta Daniela Mercury o hino deste ano de um dos carnavais mais conhecidos do mundo.
Só que a história do “pode vir, pode chegar” não é bem assim. Desde os anos 90, com a explosão da Axé Music, os tradicionais trios elétricos que democratizaram e popularizaram a festa nos anos 60 e 70 acabaram tornando-se um negócio milionário que atraiu grandes tubarões da produção e do marketing cultural.
Para cair nessa folia, é preciso ter dinheiro. Um pacote de um camarote famoso para três dias de brincadeira chega a custar mais de R$ 2 mil, com direito a foliar com DJ Marky e Fat Boy Slim (ah.. assim, sim). Pular na rua também custa caro: o Camaleão, um dos mais conhecidos, não sai por menos de R$ 840 o abadá.
Este ano, a prefeitura chegou a organizar um pequeno ‘Camarote do Povo’ (os ingressos são trocados por quilos de alimentos), mas que deve atender apenas a 400 brincantes, e não está no roteiro dos grandes destaques da folia. Assim acontece a maior festa popular do Brasil: excluindo.
“Da segunda metade do século XX para cá, chegaram os trios elétricos que romperam com a festa elitizada dos clubes e mansões. Só que, hoje, o trio elétrico é quem atende à elite. A música do Caetano Veloso expressou muito bem em sua época: ‘Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu’ (1969). Com o passar do tempo, esse trio elétrico foi transformado em mercadoria e instrumento de ganho de capital. Então nasceu a corda para cercá-lo, e surgiram os blocos pagos, e os camarotes. Então, atrás do trio elétrico só vai quem pode pagar”, analisa o professor de Geografia da UFBA, Clímaco Dias.
Em sua dissertação de mestrado, Carnaval de Salvador – Produção do Espaço de Exclusão, Segregação e Conflito, o pesquisador ataca todos problemas trabalhistas e de conflitos classistas da festa. Em entrevista exclusiva à parceria Carta Maior e Cultura e Mercado, Clímaco Dias explicou como a hegemonia dos blocos particulares acabou com a festa popular mais famosa do Brasil.
Carta Maior - Existe segregação de classe no Carnaval de Salvador?
Clímaco Dias – Existe uma segregação violenta de classes e de grupos sociais. O Carnaval de Salvador segrega até mesmo no espaço físico, como na Barra. Lá é onde desfilam os principais nomes do Axé Music, é uma festa para basicamente a classe média. O povo vai, mas a hegemonia dos blocos e camarotes é classe média. O povo é um espectador de segunda categoria. O carnaval do centro da cidade é popular, mas é um popular que não tem uma organização e disposição de divulgação dos desfiles de blocos afros. Isso acaba deixando o espaço um tanto esvaziado. Isso só não acontece no horário em que o desfile está sendo transmitido pela tevê. Isso é só um exemplo do módulo hegemônico. Mas existem vários carnavais na Bahia. Agora, todos os carnavais são hegemonizados por um pequeno grupo de artistas. De meados dos anos 90 para cá, meia dúzia de artistas são responsáveis por organizar as principais atrações do carnaval. Aí o que acontece? Ivete Sangalo tem fila de patrocinadores, só ela este ano terá sete patrocínios. Enquanto isso, a prefeitura de Salvador não conseguiu fechar uma cota ínfima de patrocínio de R$ 8 milhões. O governo do estado de R$ 3 milhões, mas ainda faltam mais de R$ 2 milhões para completar a cota. Então, é fácil perceber que a prefeitura fica o tempo todo de pires na mão. E a iniciativa privada não se interessa, pois os blocos dos artistas consagrados dão mais visibilidade às marcas.
CM – E a questão do uso do espaço público? Esses camarotes e blocos não revertem benefícios à administração municipal?
CM – E a questão do uso do espaço público? Esses camarotes e blocos não revertem benefícios à administração municipal?
CD – O fenômeno do camarote é apenas uma continuação do que acontecia com os blocos. Os blocos são algum tipo de entidade privada que usam o espaço público e nobre e fazem pagamentos ínfimos hoje em dia. Até pouco tempo atrás, eles não pagavam nada, pois eles vinham em nome de entidades sociais. Hoje as produtoras já pagam, mas é muito pouco. E nós somos o país da Lei Rouanet. Só Daniela Mercury conseguiu, há pouco, R$ 800 mil pela lei para montar seu bloco particular. É complicado, isso. E a discussão do espaço público em Salvador é primitiva. Até a esquerda fecha a praia para festa privada no reveillòn. Eu cheguei a escrever um artigo sobre isso e um colega de esquerda me enviou um e-mail reclamando, dizendo que ele pagava todas as taxas para usar o espaço. Como se pagar todas as taxas fosse o suficiente para cercar uma praia que é pública.
CM – Mas o Carnaval de Salvador nem sempre foi assim. Em que momento da história ele deixou de ser popular?
CD – O nosso carnaval é muito dinâmico. Se pegarmos do início do século XX até hoje, nós já passamos por quatro ou cinco formas de brincar o carnaval. Da segunda metade do século XX para cá, chegaram os trios elétricos que romperam com a festa elitizada dos clubes e mansões. Só que hoje, o trio elétrico é quem atende à elite. A música do Caetano Veloso expressou muito bem a sua época: “Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu” (1969). É porque o trio elétrico conduzia o povo democraticamente atrás de si. Com o passar do tempo, esse trio elétrico foi transformado em mercadoria e instrumento de ganho de capital. Então nasceu a corda para cercá-lo, e surgiram os blocos pagos. Então, atrás do trio elétrico só vai quem pode pagar. Hoje, mesmo esse modelo é um modelo em crise. Não tem mais como avançar. Ele continua excluindo cada vez mais, só que o mercado fonográfico do Axé entrou em crise. O Axé Music tocava nas rádios brasileiras o ano todo. Agora, mal toca no carnaval. E cada dia mais o número de artistas que surgem é bem menor do que no passado. Se formos verificar a década de 90, explodiu Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Carlinhos Brown, Tatau, Margareth e vários. Coisas boas e a maioria tudo ruim. E estavam toda semana na mídia. Hoje isso ficou mais restrito. E o pior é que eles vêm com um discurso de que fazem um ‘trio independente’. É um pouco da volta dos trios antigos. Mas isso é uma forma deles conseguirem os patrocínios. E aqueles que pagavam para entrar no bloco estão subindo para os camarotes. E os blocos e os camarotes vivem brigando pelo direito de arena. Isso é o maior sintoma da crise e como o carnaval está se transformando.
CM – Mas e as organizações sociais e agremiações não se mobilizam para melhorar isso?
CD – As organizações sociais precisam discutir isso, mas não há mobilização para rediscutir o papel do carnaval de Salvador. O jornal A Tarde publicou a pouco que muitas entidades e blocos afros estavam com problemas nas contas e não receberiam verba da prefeitura. Depois voltaram atrás e resolveram liberar o dinheiro para não prejudicar todas. E o carnaval popular tem esse tipo de problema. Tem também a questão do tamanho das entidades. O bloco Filhos de Ghandi tem cinco mil pessoas. Outros pequenos afoxés não têm nem setenta batuqueiros. Não dá para eles andarem juntos o tempo todo. Tem outra questão que é muito perversa. Nos folhetos de divulgação do carnaval, parece que há a maior democracia, pois eles colocam todos os blocos na divulgação do cardápio cultural. No entanto, muitos deles não chegam a sair para rua, pois não têm estrutura e nem patrocínio. Isso não é dito nunca. Fica tudo como se fosse uma grande alegria nessa proposta falsa de ‘magia e alegria na Bahia’.
CM – O poder público precisa ser mais atuante na regulação e organização da festa?
CD – Tem uma questão que transcende o próprio Estado. As organizações populares e o próprio Estado ficaram reféns desses seis ou sete nomes que controlam o carnaval. É uma situação extremamente difícil. Uma pessoa do povo vai à rua e se ela não vê um desses blocos ela não foi ao carnaval. É difícil gestar um modelo sem diminuir o poder dessas pessoas com elas tendo esse efeito bombástico no imaginário popular.
CM – Com a nova administração do Estado nas mãos do Jacques Wagner (PT), que vem com uma proposta progressista depois de anos do sufocamento coronelista dos Magalhães, não há uma abertura para rever políticas para a cultura?
CD – Não vejo agora, que o governo vá tomar uma postura decisiva na mudança desse quadro.
CM – E o senhor coloca nesse bolo o ministro Gilberto Gil. Não é um contra-senso o Gil músico que participa desses megablocos e o Gil ministro que trabalha diversidade cultural?CD – Gil é o grande homenageado por esses módulos, ele nunca se estabeleceu no centro da cidade. Ele é dono de camarote na Barra. Então eu não vejo muita diferença entre ele e os outros, não. É claro que ele tem uma expressividade e importância muito grande, não serei injusto com ele. Ele tem uma força muito grande com as expressões populares. Mas o Gil músico é o do camarote da Barra, não é o do Gil preocupado em dar outra direção ao Carnaval da Bahia.
CM – Em outras regiões da Bahia ainda existe o carnaval popular?
CD – Existe, mas é pouco. Nos anos 90, esse modelo de carnaval se reproduziu como uma praga.
CM – Mas até aquela coisa de carnaval o ano inteiro no Brasil acabou, né?
CD – Sim, faz parte da crise. Netinho já chegou a ter 18 blocos em todo o país. O maior faturamento deles não era no carnaval. Era nas micaretas o ano todo pelo Brasil. Até em São Paulo tinha o ‘SP Folia’. Mas isso acabou. O modelo está em crise, volto a afirmar.
CM – Nos anos 90, a câmara de vereadores de Salvador chegou a abrir investigação por racismo nos blocos?
CD – Sim. Alguns blocos chegavam a pedir fotografias para quem quisesse comprar o abadá e selecionavam pela cor os convidados. É claro que hoje não existe mais. A segregação hoje é dos pobres que não podem pagar para brincar a nossa festa mais popular. O capital fala mais alto. E o negro é sinônimo de pobre.
CM – Em sua pesquisa de mestrado, o Sr. trata muito das questões trabalhistas. Quais são os principais problemas?
CD – O trabalho infantil é algo assustador, principalmente com os catadores de latas de alumínio. Isso eu já venho denunciando desde 2000 e ninguém toma uma providência. Outro problema eterno sem solução é a condição de trabalho dos cordeiros (as pessoas que carregam as cordas dos blocos particulares). Eles trabalham em condições extremamente precárias. Boa parte deles tem problemas auditivos por trabalharem sem protetores auriculares, não têm luvas e a alimentação é pouca. E no fim de tudo isso, a remuneração é miserável, cerca de R$ 10 por dia, isso quando recebiam. Eu falo essas coisas porque ninguém fala. Todos falam apenas das belezas. Eu não sou porta-voz da beleza. Eu sou o porta-voz dos problemas. Problemas que precisam de soluções urgentemente.
Fonte: www.agenciacartamaior.com.br
Saturday, February 02, 2008
REPÚBLICA DAS IDÉIAS - SÉRGIO VAZ
República das idéias – Sérgio Vaz
Outro dia acompanhei o Jairo (Periafricania) até a Rádio 105FM, a convite do meu amigo Paulo Brown (Balanço Rap). Para quem não conhece Paulo Brown é um dos mais importantes guerreiros da música negra do mundo. Poucos conhecem MÚSICA como ele. Ele já morou nos Estados Unidos (Filadélfia) e conhece como pouco a história do Rap, R&blues, Funk, Pop, World Music e o que mais vier.
Bom, seguíamos para a cidade de Jundiaí-SP onde fica a 105fm (90km de SP) e no meio do caminho fomos levando várias idéias, e, principalmente sobre música.
Estávamos falando da importância do conhecimento musical para o bom andamento dos caras que fazem músicas hoje, principalmente no Rap.
Também discutíamos a importância de conhecer a história da música, e primordialmente, a história do país. Pois em cada época tem uma certa representação musical, quer a gente goste ou não. A Bossa Nova, Jovem Guarda, Música Brega, Os festivais de MPB, o Rock dos anos 80, até os dias mais desimportantes de hoje, musicalmente falando. Na boquinha da garrafa, lembram? Esquece!
Também falei ao Paulo que na literatura também não é diferente, e que muitos de nós também ignora a literatura universal, e escreve, apenas tendo a si próprio como referência.
Sem contar aqueles tantos que só parecem que lêem, com os velhos e esfarrapados clichês de sempre. Permitam apenas uma observação grosseira: "é que eu acho que os livro são como drogas, a gente percebe quando alguém usou". Ninguém consegue fingir que está muito louco e ninguém engana que lê.
Sabiam que tem pessoas que ficam duas horas dentro de um ônibus e dizem que não têm tempo para ler, conhecem desculpa melhor? As janelas dos ônibus são tão interessantes...
Pois é, estávamos falando sobre o poder de transformação que só a informação pode dar, e o quanto ela é importante para o povo da periferia, que é a grande maioria das pessoas que compõe essa pátria amada idolatrada (?).
Não abro mão: Informação é poder!
Não importa se ela vem dos livros, cinema, teatro, música ou da rua, mas a informação é a única arma que pode transformar o ser humano.
Uma pessoa desinformada é muito perigosa pra si mesma, mas um pessoa desinformada e com ódio, é perigosa para muita gente.
Acho que raiva e informação são a medida certa. Ainda bem que conheço vários manos e minas assim. Novos horizontes na quebrada.
Gostaria de trocar mais idéias assim, com mais e mais pessoas da Perifa, estamos bolando um jeito de propagar essas e outras idéias nas quebradas, para deixar rolar a discussão. Até porque eu sei que tem muita gente boa para contribuir. Deixa estar.
Aí, em determinado momento a conversa esbarrou na época da ditadura militar. O Período mais sombrio em que o país já viveu. Mas, que paradoxalmente, o mais criativo da extinta Música Popular Brasileira. É, hoje,esse estilo musical é apenas um espectro rondando casas de shows da fina flor econômica do país. A mesma que durante muitos anos foi a quem mandou censurar os tais melódicos comunistas, que seduzia a juventude com viola enluarada em punho. Artista da MPB tem medo da periferia de São Paulo. Vai entender o porque...
Por incrível que possa parecer, passei a infância e a adolescência sem sequer saber o que era o tal do golpe de 64. Nos anos setenta, na periferia, a única ligação que a gente tinha com o mundo exterior era a Tv e as lojas Mappin na Praça Ramos, centro de SP.
Conheci o militares e seu poder só nas vésperas da abertura, em 83, quando o exército se apoderou de um ano da minha vida. Meia volta, volver!
Foi um ano muito produtivo na minha vida, pois aprendi a marchar e a engraxar os sapatos.
Nesta época rompi com a Black Music, mais precisamente com Suggar Hill Gang, Brass Construcion, Michael Jackson, Kool, and Gang, Earth Wind and Fire, Betty Wrigth, James Brown, e tantos outros que compunham a trilha sonora da minha adolescência, para seguir caminhando, cantando e seguindo a canção com Geraldo Vandré e a turma toda que eu não conhecia. Identifiquei de imediato com as letras e músicas de protesto que acabara de conhecer: Taiguara, Gonzaguinha, Chico, Elis, Belchior, João Bosco, Ivan Lins, e um dos mais censurados no país, Odair José. E os que vinham da América do Sul: Mercedes Sosa, Victor Jarra, Violeta Parra, entre outros.
Puxa, era protesto de mais para pouco coração, "...mas o mundo foi rodando nas patas do meu cavalo...".
Isso só voltou acontecer novamente nos anos 90, quando eu conheci o rap e os Racionais Mc´s, e de quebra me fez amar novamente a Black Music, de quem eu nunca devia ter largado. Se a gente tem dois ouvidos, por quê então um só estilo de música, né não? Não existe música ruim, existe aquela que a gente não gosta.
Na internet (youtube) tem vária páginas falando sobre a ditadura, MPB e Black Music, e praticamente tudo acontecendo numa mesma época, quem não conhece o assunto, é só dar uma olhada e se informar sobre esse tempo ainda vivo na memória.
Conhecer para criar a sua própria opinião sobre os temas, para que a gente saía um pouco da pobreza dos fatos e caia um pouco na riqueza das idéias.
Um livro que me ajudou a entender um pouco foi "1968, o ano que não terminou", do Zuenir Ventura. A revista caros amigos acaba de lançar uma coleção exclusiva sobre a Ditadura que já está à venda nas bancas.
Tem uma par de coisas nas livrarias e nos sebos da cidade. O que a periferia não pode mais, é dizer que não sabia de nada.
E tem Mais uma coisa, QUEM LÊ ENXERGA MELHOR!
SÉRGIO VAZ
Outro dia acompanhei o Jairo (Periafricania) até a Rádio 105FM, a convite do meu amigo Paulo Brown (Balanço Rap). Para quem não conhece Paulo Brown é um dos mais importantes guerreiros da música negra do mundo. Poucos conhecem MÚSICA como ele. Ele já morou nos Estados Unidos (Filadélfia) e conhece como pouco a história do Rap, R&blues, Funk, Pop, World Music e o que mais vier.
Bom, seguíamos para a cidade de Jundiaí-SP onde fica a 105fm (90km de SP) e no meio do caminho fomos levando várias idéias, e, principalmente sobre música.
Estávamos falando da importância do conhecimento musical para o bom andamento dos caras que fazem músicas hoje, principalmente no Rap.
Também discutíamos a importância de conhecer a história da música, e primordialmente, a história do país. Pois em cada época tem uma certa representação musical, quer a gente goste ou não. A Bossa Nova, Jovem Guarda, Música Brega, Os festivais de MPB, o Rock dos anos 80, até os dias mais desimportantes de hoje, musicalmente falando. Na boquinha da garrafa, lembram? Esquece!
Também falei ao Paulo que na literatura também não é diferente, e que muitos de nós também ignora a literatura universal, e escreve, apenas tendo a si próprio como referência.
Sem contar aqueles tantos que só parecem que lêem, com os velhos e esfarrapados clichês de sempre. Permitam apenas uma observação grosseira: "é que eu acho que os livro são como drogas, a gente percebe quando alguém usou". Ninguém consegue fingir que está muito louco e ninguém engana que lê.
Sabiam que tem pessoas que ficam duas horas dentro de um ônibus e dizem que não têm tempo para ler, conhecem desculpa melhor? As janelas dos ônibus são tão interessantes...
Pois é, estávamos falando sobre o poder de transformação que só a informação pode dar, e o quanto ela é importante para o povo da periferia, que é a grande maioria das pessoas que compõe essa pátria amada idolatrada (?).
Não abro mão: Informação é poder!
Não importa se ela vem dos livros, cinema, teatro, música ou da rua, mas a informação é a única arma que pode transformar o ser humano.
Uma pessoa desinformada é muito perigosa pra si mesma, mas um pessoa desinformada e com ódio, é perigosa para muita gente.
Acho que raiva e informação são a medida certa. Ainda bem que conheço vários manos e minas assim. Novos horizontes na quebrada.
Gostaria de trocar mais idéias assim, com mais e mais pessoas da Perifa, estamos bolando um jeito de propagar essas e outras idéias nas quebradas, para deixar rolar a discussão. Até porque eu sei que tem muita gente boa para contribuir. Deixa estar.
Aí, em determinado momento a conversa esbarrou na época da ditadura militar. O Período mais sombrio em que o país já viveu. Mas, que paradoxalmente, o mais criativo da extinta Música Popular Brasileira. É, hoje,esse estilo musical é apenas um espectro rondando casas de shows da fina flor econômica do país. A mesma que durante muitos anos foi a quem mandou censurar os tais melódicos comunistas, que seduzia a juventude com viola enluarada em punho. Artista da MPB tem medo da periferia de São Paulo. Vai entender o porque...
Por incrível que possa parecer, passei a infância e a adolescência sem sequer saber o que era o tal do golpe de 64. Nos anos setenta, na periferia, a única ligação que a gente tinha com o mundo exterior era a Tv e as lojas Mappin na Praça Ramos, centro de SP.
Conheci o militares e seu poder só nas vésperas da abertura, em 83, quando o exército se apoderou de um ano da minha vida. Meia volta, volver!
Foi um ano muito produtivo na minha vida, pois aprendi a marchar e a engraxar os sapatos.
Nesta época rompi com a Black Music, mais precisamente com Suggar Hill Gang, Brass Construcion, Michael Jackson, Kool, and Gang, Earth Wind and Fire, Betty Wrigth, James Brown, e tantos outros que compunham a trilha sonora da minha adolescência, para seguir caminhando, cantando e seguindo a canção com Geraldo Vandré e a turma toda que eu não conhecia. Identifiquei de imediato com as letras e músicas de protesto que acabara de conhecer: Taiguara, Gonzaguinha, Chico, Elis, Belchior, João Bosco, Ivan Lins, e um dos mais censurados no país, Odair José. E os que vinham da América do Sul: Mercedes Sosa, Victor Jarra, Violeta Parra, entre outros.
Puxa, era protesto de mais para pouco coração, "...mas o mundo foi rodando nas patas do meu cavalo...".
Isso só voltou acontecer novamente nos anos 90, quando eu conheci o rap e os Racionais Mc´s, e de quebra me fez amar novamente a Black Music, de quem eu nunca devia ter largado. Se a gente tem dois ouvidos, por quê então um só estilo de música, né não? Não existe música ruim, existe aquela que a gente não gosta.
Na internet (youtube) tem vária páginas falando sobre a ditadura, MPB e Black Music, e praticamente tudo acontecendo numa mesma época, quem não conhece o assunto, é só dar uma olhada e se informar sobre esse tempo ainda vivo na memória.
Conhecer para criar a sua própria opinião sobre os temas, para que a gente saía um pouco da pobreza dos fatos e caia um pouco na riqueza das idéias.
Um livro que me ajudou a entender um pouco foi "1968, o ano que não terminou", do Zuenir Ventura. A revista caros amigos acaba de lançar uma coleção exclusiva sobre a Ditadura que já está à venda nas bancas.
Tem uma par de coisas nas livrarias e nos sebos da cidade. O que a periferia não pode mais, é dizer que não sabia de nada.
E tem Mais uma coisa, QUEM LÊ ENXERGA MELHOR!
SÉRGIO VAZ
Friday, February 01, 2008
REPÚBLICA DAS IDÉIAS - SÉRGIO VAZ
*abaixo um documentário falando sobre a censura musical e um clipe do grupo Suggar Hill Gang, um dos percussores do Rap no mundo.
CLIPE DOCUMENTÁRIO - CENSURA MUSICALClipe documentário sobre a música brasileira no período da ditadura militar que pairou no Brasil durante as decadas de 60, 70 e 80. Documentário baseado no conteúdo do site www.censuramusical.com, produzido pelos jornalistas Gabriel Pelosi, André Rocha e Lucas Mota.
Parte 1
Parte 2
Suggar Hill Gang - Raper´s deligth
CLIPE DOCUMENTÁRIO - CENSURA MUSICALClipe documentário sobre a música brasileira no período da ditadura militar que pairou no Brasil durante as decadas de 60, 70 e 80. Documentário baseado no conteúdo do site www.censuramusical.com, produzido pelos jornalistas Gabriel Pelosi, André Rocha e Lucas Mota.
Parte 1
Parte 2
Suggar Hill Gang - Raper´s deligth
PROJETO FAVELABELA - BORTOGALO
Projeto Favela Bela - Idealizador: Cacá Moreno, Cris do Morro e Fabiano Valentino, o Pelé.
Um projeto que está levando cor e auto-estima aos moradores do Morro do Papagaio em Belo Horizonte.
Uma iniciativa simples e com a boa vontade de muitas pessoas que querem mudar a realidade.
Ensaio Fotografico(nao-oficial). Feito por Rodrigo Bortolini e Ramon Lopes;
*Esse ensaio nao retrata nem 10% da essência real do projeto.
http://br.youtube.com/watch?v=hqtoNe0OALc&feature=related
Um projeto que está levando cor e auto-estima aos moradores do Morro do Papagaio em Belo Horizonte.
Uma iniciativa simples e com a boa vontade de muitas pessoas que querem mudar a realidade.
Ensaio Fotografico(nao-oficial). Feito por Rodrigo Bortolini e Ramon Lopes;
*Esse ensaio nao retrata nem 10% da essência real do projeto.
http://br.youtube.com/watch?v=hqtoNe0OALc&feature=related
Subscribe to:
Posts (Atom)

















